sábado, julho 01, 2017

Aos muenexi da utopia, Kana!

(Revista Cultural Licungo, nº 5/Vov/2016)
(Foto ©Elcalmeida ; edição da CEMD)


Aos muenexi da utopia, Kana!* **

Kamba Eié!
Adormece sossegado,
e não te sintas sobressaltado.

Os muenexi da utopia
avassalaram o poder,
mas quando o dia tornar,
podes confiar,
que eles, zuna, bailarão.

Kamba, quando soar o dia,
quedarás numa imensa exultação;
tudo irá sulcar, florir,
nas anharas que fui capaz de criar
na tua afeição.

Kamba, eié!
Eles vão tomar berrida,
com falta de coragem de atender
a harmonia que conseguimos espalhar
e inundar bué, a chitaca, com a poesia
que serve para alimentar.
a kinda do nosso dia-a-dia.

Depois, de mão dada,
fimbaremos por aquela picada,
construída pelos nossos secúlos,
que nos levará a nós,
jamais sós.

Kamba, meu Kota, Eié!
Adormece retraído,
mas não te sintas abalado;
aos muenexi da utopia,
kiabolo, diremos… Kana!

Glossário (do kimbundo)
anharas – planície de capim (erva) rasteiro
bué – muito
chitaca – pequena fazenda, geralmente hortícola
eié – olá
fimbar(emos) – mergulhar
Kamba – Amigo
kana – não
kiabolo – podres
kinda – cesta
Kota – Mais velho (termo respeitoso)
muenexi – donos
picada – estrada
secúlos – idosos, ancestrais, avós
zuna – muito depressa

*Lobitino Almeida Ngola*
*Lisboa, Setembro de 2016

** Publicado no livro “Revista Cultural Licungo nº 5/Nov/2016”, páginas 88 e 89; edição CEMD

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